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quinta-feira, 17 de agosto de 2023

ACORDANDO

 UM DIA - ACORDANDO FELIZ

j.torquato de 1955 para 2023

SENTIR O CHEIRO DA FUMAÇA DO FOGÃO DE CARVÃO SENDO ACESO NA COZINHA, OLHANDO O TELHADO DE TELHAS DE CERÂMICAS ENEGRECIDAS, ME VIRO PARA OLHAR A CAPELINHA ONDE ABRIGAVA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, SÃO JOSÉ, SANTA TEREZINHA UM CATECISMO BRANCO DOURADO E UM TERÇO A ATRAVESSAR SUA CAPA.

NO CHÃO OS TAMANCOS ESTAVAM EM ORDEM MILITAR.

JUNTO COM O CHEIRO DE CAFÉ TORRADO, VINHA A IMAGEM DO PENICO CHEIO DE URINAS NOTURNAS. E UM PEDAÇO DO MOSQUITEIRO AZUL CLARO QUE SE ARRASTAVA PELO CHÃO DE TIJOLOS BATIDOS.

NA SALETA ANTES DA COZINHA PROPRIAMENTE DITA, MINHA AVÓ LINDA E SERENA, SOPRAVA A BRASA DO FERRO DE ENGOMAR, PARA PASSAR MINHA FARDA DO GRUPO ESCOLAR. NA MESA DA COZINHA DE MADEIRA PRETA, ESTAVA JÁ MEU CAFÉ O BULE, A JARRA DE LEITE COM NATA, A GARRAFA DE MANTEIGA, UM PRATO COM BATATA DOCE, INHAME E MACAXEIRA FUMAÇANDO, AO LADO UMA TRAVESSA COM CARNE DE SOL ASSADA, TAMBÉM FUMAÇANDO. E UM GRITO.

VÁ ESCOVAR OS DENTES PRIMEIRO

PEGUEI MINHA BUCHA E A PASTA SIGNAL “HEXACLOROFENO NAS LISTAS VERMELHAS” PUS NA BOCA E LEVEI A BUCHA ESFREGANDO OS MEUS ALVOS DENTES.

ME MELEI TODO E RESOLVI TOMAR UM BANHO. PEGUEI A CUIA METI DENTRO DO TANQUE DA ÁGUA DO BANHEIRO E ME MOLHEI, PASSEI EUCALOL NO CORPO E DEPOIS DE MAIS DUAS CUIAS, ESTAVA PRONTO PARA REFEIÇÃO MATUTINA.

OS TAMANCOS ESCORREGAVAM POR MOLHADOS, ESTAREM. DEPOIS DE ME ALIMENTAR PEGUEI OS SUSPENSÓRIOS, MINHAS CALÇAS CURTAS AZUL MARINHO DE BRIM E MINHA CAMISA DE MURIM COM ALGUNS REMENDOS EM FORMA DE QUADRADO, APARECENDO A ALTURA DO BOLSO. NO QUINTAL MEU AVO LIMPAVA A GAIOLA DOS PASSARINHOS ANTES DE IR PARA A BANCA DE SAPATEIRO DIÁRIA.

CAMINHANDO SOBRE OS TRILHOS DA MARIA FUMAÇA, CHUPANDO UM PIRULITO DE AÇÚCAR QUEIMADO, CANTANDO BAT MASTERSON, COM A BOLSA DE COURO DOBRADA EM DUAS PELA METADE, CHEIA DE CADERNOS AVANTE BRASIL, CARTILHA DE CALCULAR UM CADERNO DE DESENHO E OUTRO DE CALIGRAFIA, LIVRO GRANDE DE GEOGRAFIA COM MAPA MUNDI NO MEIO, ESQUADROS E TRANSFERIDOR, RÉGUA, LAPISEIRA, E LANCHEIRA COM UM PÃO CRIOLO COM MANTEIGA E UM REFRESCO DE MARACUJÁ. TUDO NUMA BOLSA DE COURO MARRON DESCASCADA. AH A LANCHEIRA DE LATA IA A PARTE, DE LATA SIM SENHOR.

A PROFESSORA JÁ ESTAVA A POSTOS, SÉRIA, DANDO-NOS BOM DIA. ENTRÁVAMOS EM FILA IDIANA DANDO O “BOM DIA FESSORA”

PASSOU PESQUISA NA BIBLIOTECA SOBRE A VIDA DE TIRADENTES, E TIVEMOS PERMISSÃO DE IR COM DONA LAURA A DIRETORA, ATÉ A PRAÇA DA CATEDRAL, VER NOS LIVROS O TIRADENTES BARBUDO QUE MORREU PELADO.

NA VOLTA PEGÁVAMOS O BONDE SÓ POR FARRA JÁ QUE NÃO PAGÁVAMOS E PEGÁVAMOS O BONDE ANDANDO PORQUE ACHÁVAMOS O MÁXIMO.

EM CASA DEPOIS DE EMPURRAR TIJOLOS NO QUINTAL A GUISA DE TREM, DE BRINCAR DE MÃOS AO ALTO ENTRE MANGUEIRA, BANANEIRAS E GOIABEIRAS, JANTAR, AJOELHÁVAMOS A BEIRA DA CAMA, OUVINDO AINDA CAREQUINHA CANTANDO NO RÁDIO, E REZÁVAMOS ANTES DE DEITAR, ARRUMAR O TAMANCO, PENICO, MOSQUITEIRO, COBERTOR. E FICÁVAMOS OUVINDO AS HISTORIAS DE TERROR QUE OS ADULTOS CONTAVAM SENTADOS EM SUAS CADEIRAS EM FRENTE E NA CALÇADA DE MINHA CASA. APRENDI MUITOS CONTOS DE MULHER GOSTOSA E ALMAS E CASACOS NOS CEMITÉRIOS. MAIS TARDE NO MEU SONO OS PESADELOS ERAM SOBRE AS ASSOMBRAÇÕES QUE ELES NUNCA SOUBERAM QUE EU OUVIA.

DE MANHÃ A MARIA FUMAÇA, PASSANDO LÁ NA PRAÇA, APITANDO, OS CANÁRIOS E CURIÓS, O BEM-TI-VI NA BANANEIRA, O CHEIRO DE FUMAÇA E CAFÉ, LEITE DE ROSAS QUE MÃE PASSAVA ANTES DE IR TRABALHAR. ME ACORDAVA

FELIZ

domingo, 13 de agosto de 2023

SÓ QUANDO ACABA


Uma força aos velhos pais

j.Torquato

O JEITO MALANDRO, AS RISADAS DE CARLINHOS O IMITADOR DE CHAPLIN, O HUMORISTA VISUAL DA TURMA

O VIOLÃO DE PEDRO LUCIANO. LINDOMAR DO THE CATS COMIGO IRÃ E LINDOMAR.

A POSTURA PROFESSORAL DE MAURÊNCIO MAIS VELHO E ENSINANDO A VIDA VISTA PELA ÓTICA DELE.

EU, OPERADO DA GARGANTA E FAZENDO “GIBI” NOS CADERNOS DA ESCOLA, COM A TURMA DA 21 DE ABRIL, FAZENDO DEMIR JORGAR MELANCIAS COMO BOLA DE FUTEBOL COM MAURO, ARLINDO, VALTER, DURVAL,DEDINHO, CESAR, GEU  O CRAQUE E MEU IRMÃO VAL.

NENHUM DELES AFORA WADO E MEU QUERIDO MANO VAL, ESTÃO NA FACE DESTE PLANETA.

AS MUSICAS, AS GAROTAS ESTRELAS DE NOVELA E DE CINEMA, OS “BROTOS” NA PRAIA, NOS “BAILES” DO FERRINHO, OS FILMES NO CINE COLONIAL TIPO HUMOR BRASILEIRO OU FAROWEST, AS CANINHAS VELHO BARREIRO, MOÇA RICA, PITÚ E AS CERVEJAS ANTÁRTICA OU BRAHMA, OS CARANGUEJOS PEGOS NA VÉSPERA NA LAGOA, NADA DISSO TEM COMPARTILHAMENTO MAIS, AS MUSICAS DA JOVEM GUARDA, AS TARDES DE DOMINGO, OS SERIADOS DA TV, O HOMEM DE CEM MILHÕES, AS AULAS DE INGLÊS NO RÁDIO. NÃO HÁ MAIS COM QUEM COVERSAR, PARTILHAR, OS MESMOS SABORES A MESMA TEXTURA, O MESMO AMBIENTE, O MESMO SOM, A MESMA ÁUREA DESTES TEMPOS.

A ISSO CHAMAMOS SOLIDÃO DOS VELHOS.

EXISTEM HUMANOS QUE PRECISAM DE COMPANHIA MAIS QUE OUTROS, OS DOENTES, HOSPITALIZADOS, INTERNADOS, OS QUE PERDERAM RECENTEMENTE UM ENTE QUERIDO.

E OS VELHOS.

SABE O QUE É, PONHA UM ÓCULOS BEM ESCURO QUASE PRETO, PESOS NAS PERNAS DE UNS 40 KL EM CADA PERNA.ENGULA A SAUDADE, E A SOLIDÃO, OUÇA SEMPRE SEM OUVIR A MÚSICA QUE FOI TEMA DE SEU AMOR.

NESTE DIA DE AGOSTO DESTE ANO DE 2023, FINCO MINHA SOLICITAÇÃO DE TERNURA, COMPREENSÃO, CARINHO, COMPANHIA E MUITO AMOR.

PARA COM SEU VELHO PAI

NÃO É PORQUE A ESTRADA ESTÁ NO FIM, QUE ACABOU.

SÓ ACABA QUANDO ACABA. 


terça-feira, 11 de julho de 2023

ESTRANHA ESTRADA

 

ESTRANHA ESTRADA DE IATI - 1974 A 2023 - GOSTH O OUTRO LADO DA CIDADE

A ESTRADA ERA RETA A SE PERDER NAS ONDULAÇÕES EM PERSPECTIVA, UMA LISTA NEGRA SEM SINALIZAÇÃO E SEM ACOSTAMENTO, DE UM LADO PEDRAS E MATO RALO E DO OUTRO IDEM, ADIANTE HAVIA UMA PONTE SOBRE UM RIACHO, EM BREVE ESTARIA SUBINDO A SERRA DOS VENTOS EM DIREÇÃO A GARANHUNS-PE, IA A 90 E 100 KM POR HORA.

MINHA CABEÇA COMEÇAVA A DOER E NA BOCA O GOSTO RESSECADO DE BARRO PROVENIENTE DA RESSACA DE UMA NOITE NA ZONA DE DONA MARIA DO MULUNGU EM PAULO AFONSO-BA, DE ONDE EU VINHA E SEGUIA EM DIREÇÃO A MACEIÓ-AL, FOI UMA TREMENDA NOITADA, COM A GRANA SAÍDA DIRETO DO CONTRA CHEQUE PARA O BAIXO MERETRÍCIO PAULOAFONSINO.

DE REPENTE SINTO O PNEU TOCAR EM ALGO, VIREI O VOLANTE PARA ESQUERDA, MAS O CARRO JÁ TINHA BATIDO NUMA MURETA DE METAL POSTA DEPOIS DO ACOSTAMENTO, E VIROU TODO EMPINADO EM SÓ DUAS RODAS, PARA ESQUERDA RUMO A UM PRECIPÍCIO LEVE PÓS ACOSTAMENTO DA ESQUERDA. BATEU DE BICO E ME VI VOANDO PELA JANELA DO PASSAGEIRO. (AINDA BEM QUE NÃO ESTAVA COM O CINTO), ME VI AGARRANDO OS MATOS PARA SUBIR A ESTRADA E PEDIR SOCORRO A ALGUM MOTORISTA PASSANTE.

ACORDEI BEM N O MEIO DE UMA ESPÉCIE DE PASSEIO CALÇADO, COM BANCOS DE MADEIRA ENVERNIZADOS E QUEBRA SOIS COLORIDOS, ERA UM TAL DE CALÇADÃO, QUE EU NÃO CONHECIA, ALIÁS AQUELE CENÁRIO ME PARECEU CONHECIDO, MAS MUITO DIFERENTE.

AS PESSOAS SE TRAJAVAM COMO OS BANDIDOS E MALANDROS, CAMISETAS COLORIDAS SEM GOLA POR FORA DAS CALÇAS, CALÇAS RASGADAS EM DIVERSOS LOCAIS, TÊNIS MUITO ESQUISITO, AS LOJAS TAMBÉM SE PARECIAM COM OS DA MINHA CIDADE, LOJAS COM NOMES DESCONHECIDOS. MAS HAVIA UMA CASA GUIDO, E ATÉ UM CINE SÃO LUIS, MAS CADÊ A SINGER, AS BRASILEIRAS, CAPITÓLIO MODAS, CARLOS MILITO, MORGADO PINTO, HELVÉTICA. BAR DO CHOPP, DROGARIA NACIONAL E GLOBO, A MINERVA. O PRODUBAN, NADA DISSO HAVIA NAQUELA CIDADE QUE PARECIA COM A MINHA MACEIÓ. ONDE EU ESTAVA?

GENTE, MUITA GENTE QUE PASSAVAM, MUITOS FALANDO SOZINHOS FEITO UM BANDO DE LOUCOS NUM HOSPÍCIO, VAI VER ERA ONDE EU ESTAVA, DEPOIS NOTEI QUE ALGUNS GRITAVAM COM UM APARELHINHO PARECIDO COM RADINHO DE PILHA MAIS MUITO MAIS FINO, EU PENSEI DEVE SER ALGUM TRECO DE JAMES BOND QUE ENLOUQUECE AS PESSOAS DE ALGUM PAIS INIMIGO, NESTE CASO, NÓS.

A MAIORIA SE VESTIA MUITO MAL, ALGUNS ATÉ EM TRAJES DE BANHO, OU DE DORMIR. E COMEÇARAM A ME OLHAR COM ESPANTO;

EU ESTAVA DE CALÇAS XADREZ SAINT TROPEZ, CAMISA QUADRICULADA DE GOLA ALTA DA JOVEM GUARDA, SAPATOS CAVALO DE AÇO COM SALTO DE 3OU 4” E FIVELA DE PRATA, ASSIM COMO A FIVELA DE MEU CINTO LARGO, CABELOS SOLTOS E LONGOS, CORRENTE DE PRATA COM MEDALHÃO AO PEITO. ERA UM ESTRANHO NO NINHO. E ELES RIAM OU FICAVAM ESPANTADOS E MUDOS, ME OLHANDO.

ESTAVA NUM CALÇADÃO DO COMÉRCIO, ERA ONDE SE ENTERRAVA A RUA DO COMÉRCIO, LINDO LOCAL, ONDE NÓS DESFILÁVAMOS QUANDO CRIANÇA COM A ESCOLA DE SAMBA MIRIM DO PRADO. ONDE HAVIA DESFILES E FESTAS DE CARNAVAL. ONDE HAVIA UM RELÓGIO CENTRAL, A FALAR NISSO CADÊ OS CAFÉS? NÃO EXISTIAM MAIS CAFÉS, NEM CHOPARIAS, COMO ESTES PESSOAIS SE DISTRAÍAM E SE DIVERTIAM? ALÉM DE TREMENDO MAL GOSTO EM SE VESTIR, O PIOR FOI ESCUTAR BATUQUE PRIMITIVISTA COM ALGUÉM DECLAMANDO VERSOS ERÓTICOS PRIMÁRIOS CRUS E NOJENTOS , E SE BALANÇANDO TAL IGUAL A CHITA DO TARZAN.

FALAVAM PALAVRÕES COMO SE PORTUGUÊS OFICIAL FOSSE, NUM TOTAL DESCARAMENTO, ASSIM COMO A LETRAS DE SUAS MÚSICAS, ADEUS BAHAMAS, VIVALDI, BEETHOVEN, CADÊ SIMONAL, NELSON GONÇALVES, JAIR RODRIGUES, CADÊ A JOVEM GUARDA. AH

MAS AQUI, EU QUEM SOU? E ELES QUEM SÃO? ONDE ESTOU? DE ONDE EU VIM? COMO SAIO DESTA?

UMA SENHORA ME TOCOU O BRAÇO.

- MEU RAPAZ, ALÉM DA FISIONOMIA ESTRANHA, ESTÁ ESTRANHAMENTE COM INDUMENTÁRIAS FORA DE ÉPOCA, ESTÁ SE SENTIDO BEM? COMO VEIO PARAR NO CENTRO DE MACEIÓ?

ELA FALAVA COMO MINHA AVÓ, SEU PORTUGUÊS REBUSCADO ERA DA DÉCADA DE 30/40.

ESTOU EM MACEIÓ? MINHA TERRA!!!, QUE ANO ESTAMOS?

2023 DO ANO DA GRAÇA DE....

TÁ TÁ TÁ, EU CAPOTEI COM MEU FUSCA NA ESTRADA DE PAULO AFONSO PERTO DE IATI-PE, ANTES DA SERRA DO VENTO.

- BEM FUSCA É UM CARRINHO SIMPÁTICO, MAS NEM EXISTE MAIS, SALVO RARAS EXCEÇÕES.

VOCE DISSE QUE VIROU SEU CARRO NA ESTRADA, E NÃO SE LEMBRA DE MAIS NADA?

- NÃO, JÁ ACORDEI AQUI NO MEIO DESTA PRAÇA, EM PÉ.

- QUE ANO VOCÊ TEVE O ACIDENTE COM SEU CARRO

- 1974.

Fim da primeira parte

quarta-feira, 28 de junho de 2023

ANJO

 SÓ HOJE DE MADRUGADA EU PERCEBI TUDO

VOCÊ VEIO A MIM, E DEIXOU ATRÁS TUDO QUE TE DAVA CONFORTO,

SUA ZONA DE CONFORTO, SEUS AMIGOS QUE TE AMAM.

SEU EMPREGO, SUA UNIVERSIDADE, SEUS AMIGOS DE RISADAS.

TEUS PASSOS VIERAM PARALELAR MEUS PASSOS, E TEUS OLHOS BRILHAR O CAMINHO QUE NOSSOS PASSOS CAMINHARIA

NÃO HAVIA OBRIGAÇÃO, SÓ DOAÇÃO, NÃO HAVIA EGOÍSMO, SÓ AMOR.

SAÍSTE COMO UM PASSARINHO DE SEU NINHO, PARA UM CRUEL MUNDO DE POBREZA TOTAL.

ONDE ATÉ OS NINHOS ERAM CINZENTOS E CRUÉIS, MAS FICASTES APERTANDO MEUS BRAÇOS, ME DANDO FORÇAS, ME FAZENDO TEXTURAR A VITÓRIA, VER LUZ ONDE HAVIA SÓ O BREU.

AOS ANIMAIS DESTE AMOR E NOME, E JUNTOS NOSSOS NOMES FORMOU O  SOBRENOME DE FAMÍLIA, DE TODOS OS GATOS E CÃES QUE SE ENROSCAVAM AOS NOSSOS PÉS.

ALÍ NAQUELA CASINHA ENCANTADA ONDE NEM TINHA MÓVEIS NEM TINHA QUASE NADA BRILHA COMO BRILHOU, COMO BRILHARÁ O AMOR DE UM ANJO QUE DEUS ME DEU DE PRESENTE A MIM E AOS ANIMAIS LÁ DE CASA.

OLHO-TE DEITADA A DORMIR, E VEJO UMA ÁUREA LINDA QUE EU PINTEI COM MEU CORAÇÃO

GRATIDÃO IVETE.

j.,Torquato

quinta-feira, 28 de abril de 2022

O LIVRO

 

O LIVRO

A TERRA TREME EM VERMELHAS EXPLOSÕES,

FECHA O LIVRO O ATORMENTADO E, DESESPERADO, CHORA, GRITA.

O CÉU AZUL, ESTÁ MAIS AZUL QUANDO ENCONTRA AS ÁGUAS MARINHAS, GOLFINHOS DÃO BOM DIA AO SOL NASCENTE E GAIVOTAS FAZ CORO, ESTA TERRA NUNCA ACABA EM TORMENTA,

ABRE O LIVRO O ESPARANÇADO. SUAVEMENTE RI.

by jTorquAto

Torquato

domingo, 24 de abril de 2022

EU E O GOGÓ

DA EMA?

O GOGÓ,
DO QUADRO?
MACEIÓ.
DO CONJUNTO? SAUDADES DE DAR DÓ.

MELHOR TESTEMUNHA DA LINDEZA DO SOL,
BANHANDO MACEIÓ COM TERNURA COM XODÓ,
E O MAR "BEIJANDO AREIAS" UMA GAIVOTA SÓ.

EU j.torquAto

domingo, 27 de setembro de 2020

AMORFOBIA

 


EU PRECISO QUE EXISTA VOCE

POSSO ATÉ VIVER SÓ,

MAS:

COMO RESPIRAR?




j.Torquato











EU QUE MORDI A POEIRA

 

EU QUE MORDI A POEIRA

EU MORDI O LÁBIO INFERIOR
OUVI UMA GARGALHADA...
ERA DO MEU ESPELHO E ME DISSE: MORDEU COM O QUÊ?
SÓ SEI QUE MORDI, MAS ME ENGANEI, ERA UM TRAVESSEIRO.
CURVEI-ME PARA TRÁS, PARA EQUILIBRAR OS ÂNGULOS. .
SENTI INVEJA DE INANA ELA FAZ 1 ANO EM 3.600 ANOS.
TUDO A MINHA VOLTA É POEIRA DO QUE FOI
MOVEIS INCLINADOS, VIDAS QUEBRADAS, TRINCADAS, TRUNCADAS.
SOMBRAS DE PEDAÇOS, POEIRA EM TEMPESTADE PELO SOLO DE MEU CHÃO.
NEM RAIO DE SOL ATRAVESSA A TEMPESTADE, NEM DO CHÃO NEM DE MIM.
SE AINDA VEJO IMAGENS BORRADAS,
QUE SEJA UMA TEMPESTADE DE POEIRA EM MINHA ÍRIS.
O QUE EU VEJO, SÓ COM A ÍRIS DA MINHA ALMA,  ENXERGO.
CÁ TEM SONS E IMAGENS, EM UM VÍDEO DE CONSTANTES ATUALIZAÇÕES,
E NA MINHA ALMA A PASSAR TODOS OS MOMENTOS,
TODOS MEUS MOMENTOS QUE PASSARAM.
ME QUEDO A ASSISTIR EM GRANDE TELA DE 360 GRAUS, EU EM MIM DE CABELOS LONGOS, BOTAS SALTO ALTO, CALÇAS BOCA DE SINO, CAMISAS QUADRICULADAS, GOLA LEVANTADA.
VEJO O VIOLÃO, A CANÇÃO, O MICROFONE, A LUA, E O SERTÃO.
VEJO DENTES A CAIR NA SACRISTIA DE MEU BATISMO DE IDOSO.
E VEJO A EXTREMA UNÇÃO DE UM CADÁVER VIVO
VIVENDO SEM APRENDER MAIS, SEM VIAJAR MAIS, SEM PASSEAR MAIS.
NADANDO SEM ÁGUA, CAVALGANDO SEM CAVALO, DIRIGINDO SEM AUTO.
ARTICULANDO EM CÂMARA LENTA PARA O EXTERIOR,
 O QUE A MENTE DITA VELOZMENTE, DA CABEÇA O INTERIOR.
AMANDO EXTERIORMENTE,
O QUE O CORAÇÃO TRADUZ DA SAUDADE E DOS AMORES.
SEM PODER EXPRIMIR,
SEM PODER ESCREVER,
SEM PODER GRAVAR.
SÓ UMA CARCAÇA JÁ ESTRAGADA,
SEM MAIS UTILIDADE,
AINDA SENDO USADA
PARA VIVER.
EU,
J.Torquato
.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

OS 11 CONTRA O POVO DELE

OS 11 CONTRA O POVO DELE.
J.Torquato

CRISTO FOI PRESO
FOI HUMILHADO
FOI ACHINCALHADO, 
COROADO COM ESPINHOS, SURRADO COM CHICOTE
CARREGOU A MORTE NOS OMBROS
TUDO SÓ PORQUE....
CRITICOU O STF, PORQUE FALOU O QUE PENSAVA, PORQUE CONTRARIOU OS 11 MONARCAS.
CRISTO SUBIU AO CALVÁRIO LEVADO PELA POLICIA FEDERAL
COMANDADA POR IGOR (ES) DE LANÇA EM PUNHO.
CRISTO JÁ TINHA SIDO ESFAQUEADO POR UM BISPO DE SUA FUTURA IGREJA.
AI CRISTO RESSUSCITOU ANTES DE SER CRUCIFIXADO, MORTO E SEPULTADO.
AGORA UNS HOMENS ANDAM PREGANDO LIBERDADE
LIBERDADE DE IR E VIR
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
LIBERDADE PARA UM POVO OPRIMIDO PELA CORRUPÇÃO.
E O QUE ACONTECE?
ELES OS 11 MOSTRAM UM VÍDEO DA CRUCIFICAÇÃO DOS CRISTOS.
ONDE HOUVER UCRÂNIA HAVERÁ UM ARCANJO GABRIEL.
E OS 11 NADA SERÃO APENAS CARNE PODRE FEDENDO NO MONTE CALVÁRIO, ESPANTANDO ATÉ ANIMAIS CARNICEIROS. NEM O SATÃ OS QUER POR LÁ.

domingo, 2 de agosto de 2020

PORQUE... NÃO VACINEI MEU FILHO !?????????????

PORQUE NÃO VACINEI MEU FILHO!!!!!!!!!!!!!

TORQUATO VIDENTE ESPIRITUAL PLEIDIANO E SEI LÁ MAIS O QUE... COM O CIRCO MOSTRAMOS VERDADES SEM SER CENSURADOS.







PORQUE NÃO VACINEI MEU FILHO?
j. “Ancien” Torquato
Agora ele tem ‘3 anos e eu o escondo da Junta Governamental, Já vieram aqui no sítio 112 H.P.K que a junta gentilmente nos cedeu, enquanto tiver membros da família Servindo a Junta (melhor explicando é um sistema de governo parte S.N Sul nordeste que ocupa uma região que foi um país decadente e fascista chamado Brasil e outros três pedaços de ex-nações europeias. Não sei mais porque a Junta não nos explica direito o que foi um tal de Brasil e Guianas, e nem nos explicaram o que era o regime social chamado Fascismo amplamente perigoso para o planeta terra, que estas ex-Nações adotaram. O pior elemento desta região era um criminoso Fascista chamado Bolsomaro ou Boltonaro, sei lá eles não explicam direito. Mas meu filho, curiosos como ele só, descobriu que o Brasil era uma nação que adotava um regime chamado de Idiocrasia ou Democracia, onde se usa este sistema para acabar com o próprio sistema, e que o “Bandido” que governou este tipo de sistema por último foi um Messias de araque e que se chamava na realidade de Bolsonaro. Ai de meu filho se a junta descobrir. Ele me disse que povos se levantaram contra a implantação da Junta Mundial, mas que foram vencidos pelo 060606, uma vacina como a que nos impõe agora ao nascer, e que com isso controlou emoções e vontades. Não sei nem o que é Vontades a não ser a de defecar e comer, já que praticar sexo é pecado sem a autorização da Junta após um demorado exame e pesquisa de nossa família. Nosso filho por um erro do sistema computacional maternal. Nasceu morto, na real não foi bem assim. Mas eu por uma sensação estranha me rebelei e deixei que assim fosse. Levei meu filho para casa para o criar fora do sistema. Eu teria de o entregar aos 16 anos para que a Junta completasse sua educação e treinamentos. Agora meu filho é um rebelde, participando de reuniões esquisitas com gente esquisitas de outros sítios e até de outras Regiões Administrativas partes N.M.E.C.A. (meu filho disse que era a região que chamavam de América do Norte, e disse que a S.N e S.C são regiões onde esta América era chamada de Central. Uma verdadeira comédia, as vezes duvido da sanidade de meu filho. Ele me disse que existia terras, além do mar a leste daqui, que era uma região Chamada África,  Europa, Ásia etc. Não, eu não vou interná-lo, deixe que ele curta a vida enquanto a Junta não o descobre.
Um dia meu filho chegou em casa com uma tábua preta que ele chamava de Computador gestacional que foi “desviado da R.S.S. Região Sul (ele diz que era parte Brasil e Parte Uruguai/Paraguai/Argentina) imagine a loucura de meu filho!!! Com este aparelho estranho que tinha umas fotos que se mexiam e falavam, ele começou a estudar uma tal de HISTÓRIA ANCIEN que diabo é isso eu não sei.
Meu filho de 13 anos me falou que antes toda família tinha um aparelho parecido c om esse para se comunicar, estudar e trabalhar. E que a JUNTA proibiu e destruiu toda uma tal de rede não sei de que. Fazendo questão de atrasar “o progresso tecnológico humano” e até retroceder para tal de Idade Média. Disse que existia uma tal de Ciência que tudo descobria (ele seria um Ciência?), Mas que para a Junta isso seria um “desastre” Não entendo porque, e muito menos se já tínhamos tudo isso, porque não podemos ter mais. Talvez meu filho não seja louco. Talvez sejamos nós o que ele chama de Idiocráticos.
Quando obrigaram a vacinar meu povo, fabricaram o curral no qual a humanidade parou no tempo, ficou prisioneira física e MENTAL de uma organização. E isso não é só história a contar, mas talvez História a se PASSAR. História QUE NÃO MAIS SE CONTARÁ.
UMA ANCIEN HISTORY
J.Torquato

Torquato
Enviado por Torquato em 02/08/2020
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sexta-feira, 24 de abril de 2020

AREIAS DO NOSSO...

AREIAS DO NOSSO DESESPÊRO

MACEIÓ CHORA

CHORA DESESPERADAMENTE

NOSSA LUTA PARECE COM AREIA FINA

VEM O VENTO DA MALDADE E A ESPALHA PELO AR

DANIFICA NOSSO SISTEMA DE DEFESA, EMBARALHA NOSSOS PENSAMENTOS

MACEIÓ CHORA E SENTE DESESPERADAMENTE

ASSENTE QUE A TRISTEZA COM A TEMPESTADE EM ESTOURO

É BEM MAIS FORTE COM A DISSENSÃO BOLSO MORO.

PARECE QUE NOSSO ORGANISMO QUEBROU E ESTÁ CAINDO

PARA JUNTAR-SE A AREIA DO DESESPERO.

UM DIA MATARAM A ESPERANÇA, OUTRO BOLSO RECUPEROU

UM DIA TORNARAM A ESPERANÇA ESQUARTEJAR.

NÃO VALE PALAVRAS PARA ESTE CHORO

NÃO VALE MIL CHOROS PARA TODAS AS PALAVRAS

COITADO DE MEU BRASIL
j.Torquato
Torquato
Enviado por Torquato em 24/04/2020
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

HIATO DOS BRASILIANOS

HIATO DOS BRASILIANOS
j.Torquato






ERA UMA TELEFUNKEN DE MÓVEL CLARO, SE APOIAVA NOS FINOS E ELEGANTES PÉS, O SOM ERA UMA MARAVILHA DO INÍCIO DESTA DÉCADA.
NO SOFÁ DE PLÁSTICO VERDE MAIOR, EU E MINHA NAMORADA ACOMODÁVAMOS-NOS, EU AINDA TENTAVA PEGAR SEUS SEIOS POR BAIXO DA BLUSA, MAS SEM SUCESSO. AS TAPAS SE SUCEDIAM E AS RISADAS NERVOSAS E COM SABORES SENSUAIS.
FOGOS EXPLODIAM ESPORADICAMENTE, HAVIA UM SOM DE VOZES ALEGRES E EXPECTANTES, DIRIA QUE NERVOSAMENTE ANSIOSAS, TODAS FALAVAM DE UM TAL DE PELÉ.
A PALAVRA PELÉ SE CONTADA NAQUELE DIA PASSARIA DE UM BILHÃO.
SALVO FALHA DE MEMÓRIA ERA DIA 21 DE JUNHO, MESMO ASSIM AINDA SOBRAVAM CINZAS DAS FOGUEIRAS DA VÉSPERA DE SANTO ANTONIO. ÉPOCA DE BOMBAS E FOGUETES LUMINOSOS, E O FORRÓ COMIAM SOLTOS, MAS A MÚSICA MAIS OUVIDA ERA “TODOS JUNTOS” “NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO” “BRASIL ESTÁ VAZIO NA TARDE DE DOMINGO É?”.
A TV LIGADA MOSTRAVA QUE A MÚSICA DE LUIZ VIEIRA “AMOR É ISSO” UMA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA, ROMANTICA, ANTIGA, UMA LINDA JOVEM DE BRANCO, E A PROPAGANDA DO CONTINENTAL – CIGARROS.
E CHEGOU A HORA, A TV EM PRETO E BRANCO JÁ MOSTRAVA A ESCALAÇÃO DA SELEÇÃO BRASILEIRA E DA ITALIANA.
ERA A FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1970
O MUNDO MARAVILHADO, ESTARRECIDO, ASSISTIA A SELEÇÃO BRASILEIRA, “DESLISAR” EM CAMPO NO MAIOR ESPETÁCULO DE FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS.
POUCO TEMPO DEPOIS, PESSOAS GORDAS DE SAÚ DE DECADENTE, NUMA NAÇÃO IDEM, ASSISTIA PELA TV DE PLASMA, A SELEÇÃO BRASILEIRA, EM PLENA COPA DO MUNDO, DENTRO DE CASA, PERDER PARA SELEÇÃO ALEMÃ POR
7 A 1
FORAM TANTOS GOAL'S EM POUCOS MINUTOS QUE MUITA GENTE PENSOU QUE ERA O MAIOR PESADELO DA FACE DA TERRA.
EM 1970 TÍNHAMOS UM GOVERNO MILITAR DANDO FORÇA MORAL, DIZENDO JÁ NO MEIO DO CAMINHO QUE A SELEÇÃO TINHA FEITO TUDO, QUE PODIA VOLTAR PARA CASA, MAS A SELEÇÃO TROUXE UM CANECO.
ALGUÉM DESMANCHOU O CANECO BRIZOLAMENTE, E DEPOIS ASSISTIRAM JUNTO COM OUTRO GOVERNO, A VINGANÇA DOS QUE ODEIAM O BRASIL.
AGORA TEMOS OUTRA VEZ UM GOVERNO ÉTICO, MORAL E EFICAZ.
VAMOS TER NOVAMENTE NOSSO ORGULHO DE SERMOS REALMENTE, UNS PATRIOTAS BRASILEIROS CHAMADOS DE
BRASILIANOS.


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Tremens Dwelirium


TREMENS DELIRIUS
j.Torquato

Nem queria descer a ladeira de pedras, o dia amanhecia, eu quase que vi
Um gato assombrado saiu correndo da casa velha a desabar na primeira chuva.
-Socorro gritava o bichano pardo, chamuscado pelos fumaçando levemente.
- Socorro uma veia tentou me colocar no fogo, me assar.
Eu gargalhei para meu Delirius Tremens, agarrei meu pescoço com força.
Gritei:
- ò veia dos diabos deixa os gatos em paz, e eu também NE?
Tombei
Ví o chão de mim se aproximar, o que uma Moça Rica Pernambucana não faz.
Pensei em cair de cara, depois de coração, mas fiz dos braços amortecedores.
Porque eu chorava e falava o nome de uma mulher, que eu nem me lembrava de quem era?
Ah já sei, era uma garota, de um pastoril da festa lá em baixo, que pensei estar amando.
E entreguei para ela todos os galhos secos de rosas que encontrei.
Para ela fazer-me uma coroa de espinhos, para eu imitar o sofrimento divino do amor, ou coisa parecida.
E as rosas? Bebi com a Moça Rica, e ela me esbofeteou e disse:
- Então vá paquerar ela.
Eu fui.
Descendo a ladeira vi o gato perseguido, ora perseguindo um pássaro pequeno, escuro no escuro.
Gritei solta a presa, ai vi as presas, era um morcego de igreja, ali tava a igreja.
O Morcego era uma imitação 3 x 4 do padre de lá
Jurei que o morcego bebia vinho da igreja e fui lá tirar o vinho do passarinho.
O Gato fugiu apavorado com minha determinação estampada nos olhos. Cai de novo
As formigas já trabalhavam diante de meus olhos na horizontal, e cantavam.
A cigarra fazia horas extras na boate do gafanhoto cinza, cantava óperas para as formigas operárias.
Senti um lambida nas pernas era a língua do sapo chamando minha atenção.
- Ó cara acorda, tás mais bêbado que o Lula, encosta no poste, e vai para casa
Fui, mas a mulher é... não abriu a porta, não abriu porque não quis, certamente estava com outro.
Como sabe que estava em casa? Pergunta o sapo
- A Luz estava acesa olha aí
- Mas é um poste imbecil e tu nem é casado.
Ah tá, mas preciso ficar em pé para descer, e vou descer, as pedras atrapalham.
O Sol aparecia sobre os telhados da Igreja dos Martírios, atrás de mim as caixas de água, na minha frente a cidade vista de cima, aos meus pés, sapos, formigas, cigarras, gatos e uma infinidade de habitantes do meu
DELIRIUM TRÊMENS

terça-feira, 21 de maio de 2019

Maragogi Alagoas - O que fazer: Melhores Praias e Piscinas Naturais

MARAGOGI - EM UM DIA VINDO DE MACEIO! O QUE FAZER? BUGGY, LANCHA!

A R A P I R A C A

História de Arapiraca

por arp — publicado 14/08/2015 10h35, última modificação 14/08/2015 11h16
Conheça um pouco mais sobre Arapiraca...


Dados do Município

Situação Geográfica: Microrregião de Arapiraca. Limites com Major Isidoro, Jaramataia, Girau do Ponciano, Lagoa da Canoa, Feira Grande, São Sebastião, Junqueiro, Limoeiro de Anadia, Coité de Nóia e Igaci. 264 metros acima do nível do mar. 

Área: 614 km2 

Clima: Tropical-semi úmido (Informação de geognoronha - Fonte: Moreira, João Carlos Geografia: volume único / João Carlos Moreira, Eustáquio de Sene. - São Paulo: Scipione, 2005. 1.Geografia (ensino médio) I.Sene, Eustáquio de. II. Título. Página 100. 05-4155 CDD-910.712). 
Máxima de 38° C e mínima de 31° C. 

Acesso: AL-110, AL-115 e AL-220.

A Origem

Segundo conta uma tradição do povo...
ORIGENS

Segundo conta uma tradição do povo, remanescente do próprio fundador, a palavra Arapiraca tem origens indígenas e, por analogia, significa: "ramo que arara visita". Entretanto, a luz da ciência, trata-se de uma árvore (foto ao lado) da família das Leguminosas Mimosáceas - Piptadênia (Piteodolobim), uma espécie de angico branco muito comum no Agreste e no Sertão e que o povo, a sua maneira, denomina de Arapiraca.

Então, foi nessa Arapiraca, a árvore frondosa e acolhedora, situada a margem direita do Riacho Seco, onde o fundador Manoel André Correia dos Santos acampou no primeiro dia, quando procurava uma fonte de água doce onde pudesse se instalar para tomar posse da propriedade Alto do Espigão do Simão de Cangandú adquirida em 1848, por seu sogro Capitão Amaro da Silva Valente Macedo, que residia no então Povoado Cacimbinhas, município de Palmeira dos Índios.

Quando realizava o primeiro desmatamento na área, auxiliado por trabalhadores, num dia de muito sol, Manoel André escolheu a árvore sombria, onde pudesse descansar ao meio dia.

Encostou aí os instrumentos de trabalho e cuidou de preparar a "bóia", quando então usou estas palavras: " Essa Arapiraca, por enquanto é a minha casa".

Este seria o primeiro ponto de referência, o marco que, através do tempo, passaria a história.

Contam ainda os ramos ascendentes, que em seguida, Manoel André construiu, a sombra da árvore, uma cabana de madeira coberta com cascas de angico, onde passou os primeiros dias, enquanto fazia surgir a primeira casa, numa distância de cerca de cem metros, onde se instalaria com a família que viera de Cacimbinhas, no mesmo ano de 1848.

Em pouco tempo, formou-se um próspero sítio e, em 1865, quando Manoel André construiu uma capela, já havia um arruado de casas de taipa de duas águas, formando um quadro.

O povoamento de Arapiraca foi ocorrendo de forma sistemática, ou seja, tal qual as colonizações portuguesas tradicionais, o que resultou numa imensa árvore geneaológica.

Assim em 1848, o Capitão Amaro da Silva Valente de Macedo, mandou o genro Manoel André Correia dos Santos, comprar e ocupar a terra Alto do Espigão do Simão do Cangandú, para localizar com a família, tendo em vista um sério incidente ocorrido entre Manoel André e o cunhado José Ferreira de Macedo.

Dez anos depois em 1858, o Capitão Amaro envia outro genro de nome José Veríssimo dos Santos, que ocupou a parte Sul da propriedade denominada Cacimbas. Em 1859, também seu cunhado Manoel Cupertino de Albuquerque (casado com sua irmã) que se instalou ao lado, no local denominado Baixão.

No final de 1860, Terezinha Nunes Magalhães (mãe de José Veríssimo) fica viúva de José Nunes Pereira de Magalhães, em Campos de Anadia e chega em Arapiraca em companhia dos filhos Domingos Nunes Barbosa, que fundou Canafístula, Estevão Nunes Barbosa, Manoel Nunes Barbosa (que fugiram da convocação da Guerra do Paraguai em Campos de Anadia e se refugiaram na margem de uma lagoa cercada de Craíbas, na herança de José Pereira seu irmão e de Manoel Ferreira de Macedo, genro e filho do Cel. Amaro da Silva Valente, onde surgiu a povoação Craíbas dos Nunes.

A partir de 1861, chegaram José Ferreira de Macedo, Manoel Ferreira de Macedo (cunhados de Manoel André) e o sobrinho Pedro Cavalcante de Albuquerque, filho de Joana da Silva Valente e Manoel Cavalcante de Albuquerque; os primeiros se instalaram na Serra dos Ferreira e Pedro Cavalcante nos Caititús. Em seguida, chegaram os irmãos de Manoel André: Manoel Eugênio, André Correia e José Sotero, que se estabeleceram no Sítio Mangabeira.

Estes foram os primeiros povoadores, cujas famílias cresceram e multiplicaram-se, entrelaçando-se (não havia gente de fora) e formando esta imensa árvore genealógica através do tempo. Todavia, o que dificulta atualmente a identificação das famílias é a não conservação do sobrenome dos ramos ascendentes.

Assim, alguns remanescentes de Manoel André como os filhos de Maria Rosa Correia dos Santos e Lúcio Roberto da Silva, passaram a usar o sobrenome Lúcio; os filhos de José Veríssimo dos Santos foram assim registrados: Manoel Antonio Pereira de Magalhães, Antonio Leite da Silva, Esperidião Rodrigues da Silva, José Nunes de Magalhães, Joana Umbelina de Magalhães, entre outros.

Do tronco de Manoel Cupertino de Albuquerque, forma registrados os filhos com estes sobrenomes: Manoel Nunes de Albuquerque, Inocêncio Nunes de Albuquerque, Antônia Maria de Jesus e outros. Os filhos de Bernardino José dos Santos foram assim registrados: Pedro Leão da Silva, Antonio Raimundo dos Santos, João Francisco Aureliano, Maria Antonia dos Santos, Josefa Maria da Conceição, Euzébio José dos Santos e outros.

O tronco de Manoel André tem pois, os seguintes ramos: Correia, Lúcio, Inácio, Vicente, Fausto, Umbelina, Belarmino, Amorim, Oliveira e outros. Segundo conta a tradição, o sobrenome Lima surgiu com a presença de Felipe José Santiago, que teria vindo de Água de Menino, Junqueiro-AL.

Já o tronco de José Veríssimo dos Santos possui os são: Magalhães, Rodrigues, Leite, Barbosa, Nunes, Pereira, Ventura, Honório, Oliveira e outros. Os descendentes de João de Deus (casado com uma tia de Manoel André) se mesclaram com as famílias já referidas e tomaram os mais variados sobrenomes. Quanto aos irmãos José Ferreira de Macedo, Manoel Ferreira de Macedo, Maurício Pereira de Albuquerque e Joana Leopoldina da Silva Valente (casada com Manoel Cavalcante de Albuquerque) seus descendentes têm os sobrenomes: Macedo, Albuquerque, Nunes, Ferreira, Alexandre, Cavalcante, Oliveira, Gama, Pereira e outros.

Conclusão, eram irmãos: José Ferreira de Macedo, Mauricio Pereira de Albuquerque, Manoel Ferreira de Albuquerque e as esposas de Manoel André, José Veríssimo Pereira, Joaquim Pereira e Manoel Cavalcante de Albuquerque que eram filhas do Capitão Amaro da Silva Valente.

O Povoado

Edificado à margem direita do Riacho Seco, a princípio Arapiraca se estendeu...
O POVOADO
Edificado à margem direita do Riacho Seco, a princípio Arapiraca se estendeu por uma faixa de planalto coberta por densa vegetação típica do agreste, onde se destacavam: Pau D'arco, Cedro, Angico, Massaranduba, Aroeira, Pau Viola, Quixabeira, Umburana, Jurema, Barauna, Pau Ferro Canafístula, Cajarana e, principalmente, a árvore símbolo - Arapiraca.

Contando com uma privilegiada localização e impulsionada pela extraordinária capacidade de trabalho de seu povo, Arapiraca estaria fadada a cumprir uma florescente trajetória através dos anos.

No início deste século, Arapiraca ainda era edificada com casas de taipa, modelo duas águas com biqueira existindo duas construções em alvenaria: uma, no Quadro - atual comércio, construída pelo Capitão Chico Pedro e, outra, na Rua Nova - atual Praça Deputado Marques da Silva, um sobrado construído por Antonio Apolinário e que depois serviu de Paço Municipal.

Até então, havia ainda em Arapiraca vestígios dos primeiros tempos da fundação. Existiam, em pleno centro urbano. muitas árvores nativas, em cujas sombras os feirantes colocavam carros de boi, amarravam animais,e a meninada da época brincava diariamente. Na rua Nova existia um viçoso Pau D'arco próximo à Igreja de São Sebastião, e um frutífero Genipapeiro, em frente a casa de Tibúrcio Valeriano. Conta-se que, certa vez o Pe. João Maria, de passagem por Arapiraca, observando o verde destas árvores, afirmara que em seu subsolo, não muito distante, com certeza passaria algum lençol d'água, daí o vigor daquelas plantas tão verdes. E sugeriu, na ocasião, que se alguém cavasse um poço, a poucos metros de profundidade, encontraria água abundante. Aproveitando a sugestão, José Magalhães cavou uma cacimba que, durante décadas, forneceu água gratuita à população daquela época.

No comércio, existiam diversos Umbuzeiros ao longo do quadro e uma velha Tamarineira, em frente à loja de José Lúcio da Silva, em cuja sombra nasceu a feira e onde os trabalhadores Vicente Flor, João Higino, Belo, Joca da Serra, Pedro Alexandre, André Marchante e outros, penduravam a carne para vender..

Havia ainda, um lendário coqueiro situado em frente à igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho que, segundo informações do Sr. Toinho Cavalcante, vinha dos tempos da fundação e Arapiraca e era considerado como relíquia pelos descendentes de Manoel André.

Onde foi aberta a rua do cedro - atual Av. Rio Branco, havia uma série dessas árvores, as quais, tempos depois, foram destruídas. Finalmente, abaixo do comércio, antes da atual ponte sobre o riacho, estava situada a frondosa e verdejante Arapiraca, que serviu de sombra acolhedora ao primeiro habitante e assistiu, como testemunha muda, ao nascimento de uma cidade com o seu próprio nome; infelizmente, o marco foi destruído para dar passagem ao progresso, talvez...

A Cidade

Quando Arapiraca foi elevada a condição de cidade, em 1924, contava...
A CIDADE
Quando Arapiraca foi elevada a condição de cidade, em 1924, contava, apenas, com cinco logradouros públicos incompletos e alguns acessos. assim, existia o Quadro - atual praça Manoel André, a rua Nova - hoje Pça. dep. Marques da Silva, a rua Pinga Fogo - atual rua Aníbal Lima, início da Rua Boca da Caixa e que, depois, passou a ser denominada de Rua 15 de Novembro e início da Rua do Cedro - atual Av. Rio Branco.

Após a emancipação, aproveitando um longo que saía da extremidade da Rua Nova em direção à localidade de Cacimbas, o prefeito eleito, Major Esperidião Rodrigues da Silva, construiu (cedendo uma faixa de terra de sua propriedade), a rua do Cedro, que depois passou a ser chamada Av. Rio Branco. Além desses logradouros, existia ainda o Beco dos Urubus, que saía do centro do Quadro em direção à lagoa, onde o comerciante Firmino Leite estendia couros para secar ao sol, atual saída para a ponte do Alto do Cruzeiro. Afora isso, existia um largo que partia da rua Nova, em direção ao cemitério (onde está situada a Concatedral de Nossa Senhora do Bom Conselho) onde por muito tempo, existiu um matadouro - atual Largo D. Fernando Gomes.

Um panorama bucólico dominava a cidade, naqueles tempos idos. A presença de animais pastando em plena rua era uma constante e dezenas de carros de boi trafegavam diariamente, escutando-se o contínuo ranger das rodas nas tardes ociosas do verão. A noite, os jovens contavam estórias sentados nas calçadas e os mais conservadores rezavam ofícios e novenas na igreja; a vida era aquela rotina e até o tempo demorava a passar, pois o movimento era pequeno e as horas eram ociosas, enfim, a cidade parece até que vivia parada no tempo. O progresso ainda estava longe e o casario de formas singelas dava ainda a impressão de um povoado.

A Emancipação Política

Um dos capítulos mais importantes da história de Arapiraca e que merece registro é sem dúvida, a luta...
A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Um dos capítulos mais importantes da história de Arapiraca e que merece registro é sem dúvida, a luta empreendida pelo líder da emancipação Major Esperidião Rodrigues da Silva, a partir de 1918, quando assumiu o comando da campanha em prol da emancipação política do distrito de Arapiraca.

Foram anos de preocupações e sacrifícios, enfrentados pacientemente pelo líder da campanha, realizando reuniões, preparando relatórios, sobre a área do povoado, número de imóveis, de habitantes, de propriedades rurais, atividades comerciais, produção agrícola, enfim, toda economia local, para de posse desses subsídios provar que o distrito de Arapiraca, poderia sobreviver emancipado de Limoeiro de Anadia.

Convém frisar, que naquela época ainda não existia automóvel no interior e as exaustivas viagens à capital do estado, eram realizadas a cavalo e o Major Esperidião Rodrigues tinha que inevitavelmente passar por Limoeiro de Anadia, cujas lideranças políticas envidavam esforços tentando a todo custo obstruir o trabalho e a tramitação do processo de emancipação do distrito de Arapiraca.

Então, as hostilidades eram constantes e quando o nosso libertador passava humildemente por Limoeiro de Anadia, em demanda da capital Maceió, ouvia impropérios e achincalhes dirigidos a sua pessoa,por causa de sua luta em prol da emancipação de Arapiraca, numa fase em que imperava a oligarquia da família Barbosa, que tinha livre acesso aos bastidores do Palácio dos Martírios, como políticos de situação e bem prestigiados.

Homem abnegado, era uma verdadeira peregrinação que o Major Esperidião Rodrigues fazia há anos, frequentando secretarias, Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça, Palácio do Governo e outros órgãos, onde o líder da campanha ficou muito conhecido e os funcionários e assessores, quando o avistavam ao longe comentavam entre si: - Lá vem o homem dos olhos azúis outra vez.

O tempo foi passando até que enfim, apareceu uma luz no fim do túnel e o panorama começa a clarear com a presença oportuna do Deputado Odilon Auto (natural de Pilar) que acompanhando o sacrifício do Major Esperidião Rodrigues, resolveu apoiar e defender a causa da Emancipação Política do então distrito, reivindicada pelo laborioso povo de Arapiraca.

Agora de posse da documentação necessária, o Deputado Odilon Auto se engaja ma luta e passa a preparar o projeto, para enfrentar a fase mais difícil: convencer a maioria dos deputados, e votar pela aprovação do Projeto de Lei para posterior sanção pelo Governador Dr. José Fernandes Lima.

Foi uma tarefa árdua enfrentada pelo Deputado Odilon Auto, que durante meses se empenhou com toda capacidade de trabalho, pela justa causa da emancipação do Distrito de Arapiraca, contrariando os interesses dos políticos de Limoeiro de Anadia, que não desejavam perder a renda mensal do seu mais importante distrito que era Arapiraca.

O líder Esperidião Rodrigues, impaciente com a burocracia da tramitação do processo, tomou uma atitude: viajaria a Maceió e só voltaria para Arapiraca após o resultado final - ou tudo ou nada. Foi com essa decisão que chegou a capital na primeira quinzena de Abril e durante 40 dias permaneceu ao lado do Deputado Odilon Auto, acompanhando a tramitação do Projeto de Lei nº 1009, que após vários debates e discussões acaloradas, foi finalmente aprovado pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador Dr. José Fernandes Lima, no dia 30 de Maio de 1924. Foi um relevante serviço prestado pelo Deputado Odilon Auto a causa da emancipação e uma grande vitória para o líder da campanha Major Esperidião Rodrigues da Silva, o grande idealista.

Esperidião Rodrigues da Silva

Em 16/06/1858, nasce na Vila de Cacimbinhas Esperidião Rodrigues da Silva...
ESPERIDIÃO RODRIGUES
Em 16/06/1858, nasce na Vila de Cacimbinhas Esperidião Rodrigues da Silva, filho de José Veríssimo Nunes dos Santos e Ana Maria da Silva Valente.
Neto materno do português Amaro da Silva Valente de Macedo e de Izabel Pereira da Rocha Pires.
Em janeiro de 1859, seu pai resolve transferir-se para o povoado de Arapiraca, onde lá já residia seu cunhado Manoel André Correia dos Santos; chegando em Arapiraca fixa residência na parte denominada de “Cacimbas”; nesta época Esperidião tinha 06 seis meses de vida.
Sua infância foi muita boa, brincava entre as árvores e pássaros e sonhava com uma cidade tranquila e bem povoada. Seu pai católico fervoroso, criou a família dentro dos padrões de honestidade, respeito e amor ao trabalho.
Em 1875, casa-se Esperidião com 17 anos de idade, com sua prima Joana Belarmina de Macedo, casamento acertado por seus pais, como era de costume da época e ele não ia fugir à regra. Desta União nasceram os filhos: André Rodrigues de Macedo, Serapião Rodrigues de Macedo, Domingos Rodrigues de Macedo, Lino Rodrigues de Macedo, Antonio Rodrigues de Macedo, Jonas Rodrigues de Macedo e Cecília Rodrigues de Macedo.
Esperidião tinha em seus planos, montar uma casa de Comércio. Sempre que levava cargas de algodão para serem vendidas em Penedo; voltava com tecidos e outras que levava cargas de algodão para serem vendidas em Penedo; voltava com tecidos e outras mercadorias para montar sua loja. Estas idas e vindas de pessoas, a fim de comerciar ficou conhecida com “A rota do São Francisco”.
Esperidião, como homem de visão, viu a necessidade da proteção aos viajantes pelas estradas desertas, então sugeriu a criação de uma guarda policial. Sua idéia foi aceita. E esta guarda ficou sob o comando de João Magalhães, que impôs respeito e ordem.
Esperidião torna-se o 1º comerciante em 1880 do Povoado de Arapiraca, em 1848, Esperidião criou a feira de Arapiraca, a fim de facilitar a vida dos moradores do povoado.
Em 892 Esperidião foi eleito Presidente do Conselho da Vila de Limoeiro. Neste mesmo ano conseguiu do Governo a criação de uma escola para o povoado; como também a criação do Cartório do Registro Civil, para casamento, nascimento e óbitos e uma agência dos correios.
Em 1897, casa-se pela 2.ª vez com Balbina Farias de Melo; desta união nasceram: Amália Rodrigues da Silva, José Rodrigues da Silva, Genésio Rodrigues da Silva, Virgilio Rodrigues da Silva, Laura Rodrigues de Melo, Juvênio Rodrigues de Melo, Rosa Rodrigues de Melo, Gondizalves Rodrigues de Melo e Marieta Rodrigues de Melo.
Em, 1908, Esperidião funda no Povoado de Arapiraca, uma Sociedade Musical denominada: “União Arapiraquense” cujo os instrumentos musicais foram adquiridos em Paris (França).
Em 1915, o Governador Cel. Clodoaldo da Fonseca, nomeia Esperidião à Intendente da Vila de Limoeiro de Anadia, até 1918. Destacando-se como líder Político da atualidade.
No fim de 1918, Esperidião desgostoso com a política, vende suas propriedades, reúne os filhos e vai fixar residência no povoado da Igreja Nova, mas depois de estabelecido no comércio, a sua saúde começa a preocupar, então ele resolve mudar-se para Lagoa Comprida Povoado que fica as margens do Rio São Francisco.
Em abril de 1924, chega a Lagoa Comprida, seu sobrinho Domingos Lúcio da Silva, com uma missiva, a qual pedia a presença de Esperidião para liderar os rumos da Emancipação do Povoado de Arapiraca da Vila de Limoeiro de Anadia.
Daí, Esperidião reunia família, participa a todos que Arapiraca precisa de seu empenho e que tudo fará para ver concretizado o sonho de todos Arapiraquenses.
Neste mesmo mês Esperidião volta a Arapiraca e segue para Maceió, a fim de manter contato com as autoridades do estado, para que o processo de Emancipação tenha trâmite legal e possa ser votado pelos Deputados. Foi muito longo o tempo de espera, mas Esperidião não desiste. Todos os dias estava no palácio falando com um e com outro, até que se encontra com o Deputado Odilon Auto, que mantém uma conversa bem reservada e obtém do mesmo a aprovação de assinar a proposta apresentada. Mas não dependia só dos Deputados, tinha que ter a autorização do Secretário da Fazenda, na pessoa do Dr. Castro de Azevedo que mantinha-se intransigente, acabando o mesmo que havendo a separação de Arapiraca com Limoeiro esta seria prejudicada.Então Esperidião prometeu que com a Emancipação de Arapiraca Limoeiro continuaria economicamente forte.
Depois de falar novamente com o Governador este por sua vez manda que ele entre em contato com o Secretário da Fazenda e ouve dele esta frase: “ Não prometo trabalhar pela emancipação de sua terra, mas prometo não criar dificuldades as suas pretensões”. Neste mesmo dia subiu a plenário o processo e foi votado favorável.
No dia 31 de maio de 1924, recebe Esperidião, um telegrama oficial no qual relatava:
Cel. Esperidião Rodrigues da Silva
Arapiraca Limoeiro
Acabo sancionar Projeto Lei criando município de Arapiraca, com cuja população laboriosa, adiantada e progressista me congratulo por intermédio amigo, grande incansável paladino dessa conquista que representa ato de justiça aos poderes públicos e a um povo que se levanta por si próprio, que tem iniciativa e que progride.
Cordiais Saudações
Ass. Fernandes Lima- Governador do Estado
30/10/1924 – O jornalista Pedro da Costa Rego, empossa a junta governativa de Arapiraca.
07/01/1925 – Leitura do termo de posse pelo juiz Dr. Medeiros da cidade de Palmeira dos Índios.
07/01/1925 – Esperidião é eleito prefeito da Vila Arapiraca, tendo como vice José Zeferino de Magalhães e governaram até 08/01/ 1928.
Em 1930 – Esperidião é eleito pela 2.ª vez prefeito de Arapiraca tendo como vice Antonio Romualdo e governaram até 1932, quando rebentou a Revolução. Daí por diante os prefeitos eram nomeados pelos Interventores que recebiam uma lista contendo cinco nomes daí o eram escolhidos o prefeito com seu respectivo vice.
Em 1936 – casa-se Esperidião pela 3.ª vez com Maria Rodrigues.
03/07/1943 – Falece na cidade de Arapiraca aos 85 anos de idade, Esperidião Rodrigues da Silva, e é sepultado no cemitério local, após ter terminado a sua caminhada cívica, como cidadão brasileiro e arapiraquense, como cidadão brasileiro e arapiraquense, com a consciência tranquila do dever cumprido.

A Primeira Administração

Com Arapiraca cidade, ocorreu a primeira eleição em janeiro de 1925...
A PRIMEIRA ADMINISTRAÇÃO
Com Arapiraca cidade ocorreu a primeira eleição em janeiro de 1925, com um candidato único, cuja posse ocorreu no dia 07 corrente, o prefeito eleito Major (guarda nacional) Esperidião Rodrigues da Silva, um homem íntegro, abnegado e consciente de suas responsabilidades, se entregou de corpo e alma ao cargo eletivo outorgado pelo povo e como primeiro mandatário, passou a nortear os destinos de sua terra natal e apesar de não contar com uma Câmara de Vereadores para legislar, foi resolvendo tudo individualmente, sem contar com nenhuma subvenção estadual e nem federal para a Administração.
O que foi realizando nos primeiros meses foi com os parcos recursos da arrecadação dos imposto do centro urbano: atividades comerciais, feira livre, imposto predial, matadouro. Tomando também a decisão de arrecadar impostos na zona rural inclusive, das propriedades e dos animais bovinos e caprinos existentes. Só isentou de taxas os carros de boi porque transitavam carregando farinha, cereais, lenha e tijolos para as construções. E para aumentar a coleta nos dias de feira, conseguiu uma área por traz do comércio, para recolher os animais e também fazer a cobrança pelas ocorridas – era a “Intendência”.
No primeiro ano (1925) o prefeito Esperidião Rodrigues da Silva conseguiu planejar a primeira obra, considerada uma prioridade para a nova cidade – uma área para construção de um cemitério para o município,que seria no final da antiga rua da matança, atual Largo D. Fernando Gomes, onde cinqüenta anos depois foi edificada a Concatedral de Nossa Senhora do Bom Conselho e também o calçadão onde acontece também a “Missa do galo” e outros eventos religiosos, durante o ano. 
No ano seguinte, em 1926, a iniciativa privada dava os primeiros passos com o Sr. João Magalhães instalando uma “bolandeira” – um vapor para descaroçar algodão, um grande empreendimento para a época. E nesse mesmo ano, para realizar o seu grande sonho, o prefeito Esperidião Rodrigues da Silva tomou a decisão de projetar uma rua para marcar a sua passagem pelo poder público – seria a Av. Rio Branco, aproveitando para isso um longo corredor que saía da rua Nova ( atual praça Dep. Marques da Silva ) em direção de Cacimbas, cedendo um faixa de terra de duas tarefas de sua propriedade. Aberto o logradouro, o prefeito escolheu um local privilegiada e também cedeu gratuitamente o imóvel, para a construção da primeira Prefeitura de Arapiraca, que a partir de 1950 foi instalada a Câmara de Vereadores.

O Paço Municipal

O primeiro sobrado edificado em Arapiraca foi construído pelo comerciante Antonio Apolinário...
O PAÇO MUNICIPAL
O primeiro sobrado edificado em Arapiraca foi construído pelo comerciante Antonio Apolinário, na rua Nova (atual Praça Dep. Marques da Silva) e este prédio colonial foi escolhido para servi de sede para a festa de posse da Emancipação Política de Arapiraca, na data de 30 de outubro de 1924, que contou com a presença do então Governador Pedro da Costa Rego que participou também do baile comemorativo.
No sobrado antigo, chamado na época de Paço Municipal, passou a funcionar a junta Governativa, formada por líderes da comunidade, presidida por Francisco de Paula Magalhães, cuja gestão provisória foi de 31 de outubro de 1924 a 1º de janeiro de 1925, quando foi eleito (candidato único) O primeiro prefeito, o Major Esperidião Rodrigues da Silva.
No Paço Municipal continuou também aa Administração Municipal passou a ser a primeira prefeitura de Arapiraca, na Av. Rio Branco. Após a saída da Administração Municipal, No Paço Municipal passou a ser a primeira Delegacia de Policia e mais adiante o imóvel serviu para a instalação do primeiro hotel da cidade o Hotel Estrela, passou por sucessivos proprietários.
Até que em 1952 o Paço Municipal passou para a iniciativa e em 1970 foi demolido o prédio já descaracterizado, onde foi construído o edifício atual com uma grande loja no térreo e salas par escritórios nos andares superiores.
Infelizmente, a exploração imobiliária eliminou os prédios históricos, testemunhas do passado, prejudicando a memória da cidade.

As Cosias do Povo Simples

Antes que a fase de desenvolvimento atingisse Arapiraca...
AS COISAS DO POVO SIMPLES
Antes que a fase de desenvolvimento atingisse Arapiraca, muitas águas rolaram por baixo da ponte e uma infinidade de fatos e coisas interessantes ocorreram na pequena urbe.

Até 1950, longe estava a cidade da chamada civilização do consumo. Arapiraca era mais povo e produzia aquilo que consumia. 

Assim, em vez de "iogurte", tínhamos a coalhada escorrida que a velha Cipriana fazia com capricho numa panela de barro, no sítio Lagoa da Pedra e vendia pelas ruas de Arapiraca.]

As margaridas, umas pretas lavadeiras, vinham duas vezes por semana buscar roupas para lavar e trazer ervas, cascas e raízes para vender nas portas das casas. Era raspa de juá, mijo de ovelha, jericó, erva de passarinho, etc.

As mulheres do sítio Mata Limpa faziam macasada, beiju, pé-de-moleque e traziam, também, bredo majongomes para vender na semana santa ao povo de Arapiraca.

O velho Camilo do Sítio Fernandes fazia cachimbos de barro em quantidade, para abastecer os vendedores na feira de Arapiraca, onde era muito conhecido pela qualidade do produto. 

Dona Maria Nobre ganhava seu dinheiro tinturando roupa do povo que botava luto, usando uma lama preta que existia no Poço Frio, à margem do Rio Perucaba.

O prefeito de Arapiraca Manoel Lúcio percorria as ruas em sua charrete, inspecionando as obras (e as bodegas) do município. Quando voltava era "naquela base"; sua sorte era o fato de o cavalo conhecer o caminho da volta.

O velho Caio percorria a cidade vendendo seu produto aos usuários - o melado de Sergipe: "olhe o melado de Sergipe...". Mas ficava irritado com a meninada que lhe importunava diariamente, com esta indagação - Fumo velho o que é? e o velho respondia " - Pacaio é a sua mãe".

Dona Otília era a criatura que fazia o melhor suspiro da paróquia e era a figura indispensável quando se tratava de festinhas e aniversários.

Atualmente, até as figuras populares estão desaparecendo, pois Arapiraca passa por uma transformação muito rápida e até o "cantar do galo", coisa tão comum nas cidades interioranas, já é muito raro. Enfim, as coisas do povo simples, já não ocorrem como no passado.

Extraído do livro "Arapiraca através do tempo" do historiador Zezito Guedes.

Os Sítios

Mesmo com a presença dos grandes latifúndios ma década de 40, Arapiraca possuía um verdadeiro cinturão verde...
OS SÍTIOS
Mesmo com a presença dos grandes latifúndios ma década de 40, Arapiraca possuía um verdadeiro cinturão verde circundando a cidade; sentia-se o cheiro da vegetação logo na saída das ruas, pois, ainda existia uma infinidade de ervas e frutas silvestres muito próximos do centro.
Contudo, quando Arapiraca conheceu a fase de desenvolvimento a partir de 1950, o aspecto geral mudou muito, tendo em vista a mutilação desencadeada, tanto na área urbana, como na zona rural do município, onde foi destruída muita vegetação nativa para dar lugar à cultura de fumo.
Assim, havia o sítio de Caititús, um recanto aprazível repleto de fruteiras: cajueiros, mangueiras, laranjeiras, goiabeiras, mamoeiros, cujos frutos eram consumidos pela família, vizinhos e amigos, pois naquela época não havia mercado. Hoje a cidade cresceu e absorveu os Caititús que, de sítio, passou a bairro.
A Serra dos Ferreira, um dos sítios mais antigos, foi onde se instalaram os Ferreiras de Cacimbinhas. Era um lugar agradável, com muitas árvores frutíferas, onde o capitão João Ferreira criava pavões em quantidade. Hoje está muito diferente, com a devastação que lhe foi imposta.
O Sítio Mocó, o reduto do velho Lúcio Gomes, foi o mais castigado pela evolução. Era no sítio Mocó que se realizavam animadas festas de fim de ano, freqüentadas pelos jovens da sociedade arapiraquense. Quando asfaltaram o trecho da AL – 102, ligando Arapiraca à Taquarana, o asfalto destruiu totalmente o sítio Mocó com a igreja, riscando-o do mapa do município. 
A Lagoa de Dentro foi outro sítio que foi vítima da transformação ocorrida na zona rural, e praticamente foi eliminado, dando lugar a vastas plantações de capim para criação de gado. Era no passado o mais animado dos sítios e dava-se ao luxo de promover bailes carnavalescos, fazendo concorrência com o carnaval de Arapiraca. Naquele tempo se dizia que o povo de Lagoa de Dentro vivia de festa o ano inteiro.
A Baixa Grande era um sítio onde estavam radicadas as tradicionais famílias – raízes de Arapiraca: José Emídio, Alexandre, Honório, Estevão, Messias, Bernardino e outras, que realizavam o chamado “Derradeiro dia do fumo” e também animados pagodes do Gervásio. Existiam muitas fruteiras, onde o povo de Arapiraca costumava fazer passeios e piqueniques aos domingos e feriados. Suas festas de santos eram muito animadas.
O Sítio Fernandes era, talvez, o mais antigo e foi onde Manoel André foi buscar telhas para cobrir a primeira casa que construiu em Arapiraca. Era um celeiro de almocreves e de bons tocadores de pé-de-bonde, onde havia muitas festas. Coberto de frutas nativas e densa vegetação, do sítio, hoje, resta apenas um próspero distrito de Arapiraca.
O Sítio Guaribas era outro recanto muito animado e também um celeiro de frutas tropicais eu a juventude da época costumava freqüentar. Era lá que morava o velho Simão Lopes, figura boêmia e folclórica muito conhecida nas ruas de Arapiraca. Era um local onde o povo gostava de dança coco e cantar na colheita do fumo.
Entretanto, o sítio mais festejado e procurado pela meninada de então era o saudoso Poço frio, onde morava Né Magalhães, o velho Pedro Cavalcante e outros. Além das frutas comuns, existia uma infinidade de frutas silvestres como: umbu, jabuticaba quixaba, massaranduba, pinha brava, azeitona, gogóia, juá e principalmente araçá. Segundo informa Edson Raimundo, as sábias, eram tão gordas de tanto comer araçás, que quase não podiam voar. Foi outra vítima do progresso que devia ter sido poupada, pois foi a inútil barragem riacho Perucaba eliminou o Poço Frio.
O Sítio Capiatã era um dos recantos bucólicos cheio de fruteiras: foi onde o fogueteio Pedro Nunes edificou toda família onde terminou seus dias. Atualmente, com a corrida imobiliária, o sítio ficou ligado ao centro urbano através da rua Pedro Nunes de Albuquerque. 
Mais adiante, vinha o sítio Macacos, com a Igrejinha da Menina, um local romântico onde o velho Beijo realizava a festa de São Pedro, com uma animado pagode até o amanhecer do dia.
Logo após, está o sítio Massaranduba, outrora coberto fruteiras, muita vegetação nativa e frutas silvestres. As festas na casa de Zé Vermelho, Luís Vicente, Tertuliano e as destalagens de folhas de fumo na casa do velho Euzébio, onde as moças cantavam o dia todo.
No Sítio Cavaco residiam Antonio Ventura, João Ventura, Luiz Alexandre, José Macário, João Lúcio da Silva, e mais adiante Né Ângelo, Pero Alexandre, José Rufino, João Rufino, João Alexandre dos Santos e outros. 

Extraído do livro "Arapiraca através do tempo" do historiador Zezito Guedes.

As Bodegas

Muito comum, no passado, era a presença das "bodegas" que...
AS BODEGAS
Muito comum, no passado, era a presença das "bodegas" que, geralmente, o povo usava como ponto de encontro.

Além da função comercial junto à comunidade, existia o fator comunicação. Era nos adjuntos de bodega que o povo falava do tempo, produção agrícola, mercado, carestia, política, religião, cangaço, nascimento, transitoriedade, vida alheia, as "novas" do dia, as "estórias de trancoso", como "a obra da raposa", que seu Ivo contava; as mentiras inventadas por Zé Lopes, ou as glosas que Simão Lopes, João Canário e Domingão improvisavam entre uma bicada e outra.

As reuniões nas bodegas constituiam uma hábito tradicional e, a partir dos anos 20, muitas bodegas ficaram famosas em Arapiraca. Na rua Nova (Pça. Marques da Silva) Toinho Rodrigues mantinha uma pequena bodega (não tinha bebidas), que era o ponto de encontro dos políticos: Tibúrcio Valeriano, José Lúcio da Silva, João Ribeiro Lima, Genésio Rodrigues, José Bernardino, Antonio Apolinário, entre outros. No final da rua Nova Domingos Romualdo possuia uma bodega sortida, onde reunia um bom número de fregueses para as conversas do dia. Na rua do Cedro esquina com a rua do Arame (Rua São Francisco), Manoel Petuba mantinha uma boa freguesia, onde o povo dava uma prosa diariamente. Na Boca da Caixa, Luiz Pereira Lima se estabeleceu, em 1929, com a bodega onde começou vendendo banana, pinha, jaca. Depois colocou algumas garrafas de aguardente, onde o povo daquela área fazia adjunto diariamente.

Na rua da Matança, André Félix instalou-se com uma bodega onde também reunia uma boa quantidade de fregueses, aí fazendo ponto de encontro todos os dias. Na rua do Cemitério também se estabeleceram José Iziano e Pedro Arisitides com o mesmo ramo de bodegas. Ainda na Rua do Cedro José Oliveira, que comprou o negócio de Manoel Petuba, manteve uma sortida bodega com boa freguesia durante muitos anos; essa bodega de balcão ensebado, algum tempo depois passaria para as mãos do velho Morais, onde a meninada da atual Av. Rio Branco comprava bananola, até o início dos anos 50.

Extraído do livro "Arapiraca através do tempo" do historiador Zezito Guedes.

A Cultura do Fumo

A região onde está situado o município de Arapiraca sempre cultivou cereais e a mandioca...
A CULTURA DO FUMO
A região onde está situado o município de Arapiraca sempre cultivou cereais e a mandioca sempre foi o seu principal produto desde 1848. A cultura do fumo foi iniciada nos últimos anos do século XIX e teve como pioneiro Francisco Magalhães que, acolhendo sugestões de um almocreve de Lagarto-SE, chamado Pedro Vieira de Meio que comerciava nas feiras da então vila de Arapiraca, plantou fumo pela primeira vez em um curral onde cuidava de gado no atual bairro de Cacimbas. Daí a expressão curral de fumo, ainda hoje empregada pelos plantadores de fumo da região, no seu primeiro estágio.
A plantação de fumo nos currais foi feita durante alguns anos, passando em seguida para os chamados bai~ios, no início deste século. Semeavam o fumo nos currais e, qúando a planta nascia, era mudada para canteiros nos referidos baixios; a muda de planta vem dessa época onde foi cultivada até o ano de 1922. Essa fase constitui o segundo estágio e, nessa época, além de Francisco Magalhães, já cultivavam o fumo seus irmãos Rosendo Magalhães, Manoel Magalhães, João Magalhães, Marcelino Magalhães e seus parentes Domingos Barbosa, Pedro Leão, Messias Bernardino, Tibúrcio Valeriano, Pedro Honorato, Ambrosino Lima, Vicente Correia, Manoel Leite, João Barbosa, Firmino Leite, João Ferreira e outros.
Em 1915, os fumicultores mais prósperos já plantavam até duas tarefas de fumo, aparecendo nesse ano o primeiro homem a armazenar o produto: José Bernardino compra a safra de alguns plantadores.
Muitos anos passaram cultivando fumo nos baixios e com métodos ainda primitivos, pois só no começo da década de 20 éque a cultura do fumo passaria a se desenvolver com mais intensidade, quando o filho do pioneiro Lino de Paula Magalhães, sentindo necessidade de aumentar o plantio, quebrou o tabu: fez a semeia no curral e daí mudou para a chã — terrenos mais altos - onde plantou uma tarefa e meia de fumo, usando um pouco de estrume de gado em cada planta, sendo este o terceiro estágio.

Em 1924, Arapiraca, já emancipada politicamente, apresenta notável desenvolvimento; a produção do fumo do município já abastece (em tropas de burros) as cidades circunvizinhas de Penedo, Igreja Nova, Limoeiro de Anadia, Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios. É nesse época que os irmãos Né de Paula Magalhães e Deca Magalhães (por informação de Laudelino Barbosa que vira em uma de suas viagens) fazem inovações na fumicultura, adaptando nova técnica na preparação do fumo em rolo, antes enrolado no pé de um banco. Introduzem utensílios de madeira, como: macaca, moleque, banco, até então desconhecidos na região; também a secagem das folhas que até essa época era feita à sombra dos cajueiros, passou a ser em sequeiros; tudo isso contribuiu para a evolução da cultura fumageira, eliminando um sistema por demais rudimentar e anti-produtivo, implantando métodos que ainda hoje são empregados pelos fumicultores de Arapiraca.
Em 1928, o fumo em rolo era vendido pela primeira vez, para fora do Estado, ao Sr. José Tomáz de Caruaru-Pe. Em 1930, José Pedro Proteciano (apesar de assustado com a Revolução e com os cangaceiros) já carrega em tropas de burros para Águas Belas PE. Nesse ano Lino de Paula Magalhães aumenta a área de cultivo para dez tarefas, tornando-se o maior produtor do município de Arapiraca. Em 1934, falece o pioneiro Francisco Magalhães, mas os herdeiros assumem o comando e a esta altura, além dos plantadores já citados, plantam também Apapito Magalhães, Gregório Magalhães, Domingos Magalhães, Luiz Magalhães, Tibúrcio Magalhães, Domingos Lúcio da Silva, Rosendo Lima, Né Rosendo, Pedro Alexandre, José Lúcio da Silva, Manoel Leão, Rosendo Gama, João Nunes, Lino Barbosa, Manoel Lúcio Correia, Francisco Lúcio, Domingos Terto, Aprigio Jacinto, José Emídio, Gervásio Oliveira, José Honório, Pedro Romualdo, José Tertuliano, Domingos Honório, Antonio Leão, Domingos Romualdo, Lúcio José da Silva, Manoel Lúcio da Silva, Manoel Pereira Santos, João Lúcio da Silva, Antonio Ventura, Né Angelo, Izidro Leão, João Ventura, José Macário, Manoel Clarindo, José Ventura, André Leão, foram os principais plantadores de fumo desta fase, havendo quem plantasse até 20 tarefas.
Em abril de 1938, os cangaceiros passaram próximo a Arapiraca e Lampeão aprisionou Lino de Paula no sítio Fernandes, mas o fazendeiro empreendeu fuga espetacular livrando-se do bandoleiro. No ano seguinte tem início a 2a Guerra Mundial todavia esses fatos não arrefeceram o entusiasmo dos fumicultores que continuaram evoluindo a passos largos.
Em 1934 Manoel (Né) de Paula Magalhães se desloca para o Estado da Paraíba com sua família e seus primos José Leão,

Né Cavalcante, Laudelino Leite e Anatólio Leite ( que em 1945 inventou o carro usado na viração do fumo) onde seriam os pioneiros no cultivo de fumo na região de Araçá e Sapé.
Apesar do progresso registrado nessa época, a produção do município era ainda limitada e os compradores de toda produção do fumo em rolo eram José Tomáz, Manoel Targino, Miguel Dudu, José Medeiros, Dedi, Macário, Pedro Lau, os irmãos Vaqueiro, José Carvalho, Dóia, Arnô, Francisco Carvalho, Cecílio, Antônio Paulino, Pedro Pirraia, Augusto Paulino, Antonio Carvalho etc.
Em 1945, surge pela primeira vez o comércio de folhas: José Lúcio da Silva e Lino de Paula Magalhães se estabelecem com armazéns para compra de folhas. Surge também a primeira fábrica de charutos por intermédio de José Lúcio de Meio a “Fábrica de Charutos Leda”; no ano seguinte aumenta o comércio de folhas com a presença de Joel Esteves, o primeiro corretor baiano que se instalou em Arapiraca no após-guerra, comprando folhas para várias firmas da Bahia, como Mário Cravo, Suerdyk, João Martins Mamona. Daí por diante surgiram outros corretores como Francisco Machado, Pedro Figueredo, Valdomiro Barbosa.
Em 1949, seria fundado por José Lúcio de Meio o Clube dos Fumicultores de Arapiraca.
Em 1950, se instala em Arapiraca a primeira firma internacional, a Exportadora Garrido dirigida por Galeno. A partir daí, o desenvolvimento da cultura do fumo torna-se impressionante; mais da metade da população já planta fumo e mais uma vez modificou-se o sistema: Lino de Paula Magalhães por sugestão do Dr. Francisco Oiticica, faz algumas experiências e substitui o adubo orgânico (estrume) por adubo químico (tortas, salitre, etc.), sendo esse o quarto e último estágio. Arapiraca, a essa altura, já conta com créditos de várias agências bancárias e com uma cooperativa criada por Lourenço de Almeida, que a conduziu com sacrifício por muitos anos tentando dar alguma assistência aos fumicultores. Infelizmente essa cooperativa nunca atingiu o seu objetivo (vender a terra, financiar, comprar o produto, etc), obrigando dezenas de famílias a procurar a Cooperativa 13 em Lagarto-Sergipe, que tem procurado ajudar o pequeno produtor.
Esse período caracteriza-se por uma verdadeira corrida de firmas internacionais em busca de folhas; instalam-se novas firmas aparecendo os primeiros Gringos que se hospedavam no Hotel Lopes: Exportadora Bukovitz Ltda, Fraga & Sobel, Tabacalera do Brasil, C. Pimentel, Carleoni, Souza Cruz, cujo técnico Mr. James Reed, na época insistiu para que os fumicultores da região plantassem o fumo tipo amarelinho, qu.e produzia uma folha de qualidade especial; infelizmente todo esforço seria em vão,pois, essa espécie não servia para o fumo em rolo e assim seria mais vantagem para os fumicultores plantar de um tipo que desse para as duas coisas simultaneamente: para folha e rolo. E assim continuaram plantando as espécies mais comuns: rodoleiro, língua de vaca, rapé, orelha de burro, folhiço, verdão e outros. Logo após chegariam Amerino Portugal e Mangerroux, foram estas as primeiras firmas internacionais. Terminada a década de 50 aparece outra inovação importante: Edvaldo Nobre Magalhães enrola o fumo fino, que se adaptaria melhor aos consumidores do Sul — São Paulo, Paraná, porém, com uma mão de obra mais dispendiosa, pois, o rolo é formado com quatro pernas ou pavios; esse tipo de fumo é produzido apenas por uma minoria, dada as dificuldades técnicas. O fumo fino foi introduzido no comércio de São Paulo por intermédio do comerciante Antonio Pinto que comprou a safra do Sr. João Lopes em 1962 e foi lançado em Minas por José de Souza Guedes que vendeu a Lafaiete Pinto Mendes em Itanhandú.
À década de 60, surge como um período dos mais florescentes e muita gente dos mais variados ramos, fascinada pelos bons lucros se infiltrou no comércio de fumo sendo bem sucedida. Conseguiram essas pessoas, verdadeiras fortunas, ora armazenando o produto, ora comerciando fertilizantes e outros industrializando o fumo em rolo, como Valdomiro Barbosa, Francisco Pereira, Deca Moço, Norberto Severino, Eduardo Alves da Silva, Aurelino Ferreira Barbosa, José Alexandre, Severino Araujo Silva, Mário Lima e outros.
Essa fase foi realmente das mais promissoras; a cultura do fumo passou a ocupar toda a área do município de Arapiraca e começou a penetrar nos municípios circunvizinhos: Limoeiro de Anadia, Feira Grande, Junqueiro, Coité do Nóia, Taquarana, São Sebastião, Campo Grande, Girau do Ponciano, Igací, que foram atraídos pelos bons rendimentos do chamado ouro preto. Atualmente, a região de Arapiraca já se encontra carente de vegetação. O clima já começa a mudar e o desequilíbrio ecológico épatente; a precipitação de chuvas que outrora ocorria regular-mente, hoje já não ocorre e como c.onsequência disto, as safras, às vezes, são prejudicadas; mesmo assim, o município de Arapiraca ainda continua sendo um dos maiores parques fumageiros da América Latina e milhares de toneladas de folhas são exportadas para o exterior, tendo como principal produtor-exportador Eloísio Barbosa Lopes, com a média de mil e trezentas tarefas anuais, isto sem contar com o fumo em rolo que abastece quase todo Nordeste e parte do Sul do Brasil.
Grande quantidade de fumo ainda é industrializada .em firmas de Arapiraca, tais como: Fumo Rei do Nordeste, Fumo Extra Forte, Fumo Du-Melhor, Fumo Super-Bom, Fumo Jangadeiro, Fumo Jóia, Fumo Sempre Forte, Fumo Império, Fumo Extra Bom, etc. (indústrias de fumo picado e condicionado em embalagens plásticas)
Conforme dados estatísticos do I.B.G.E., a população do município de Arapiraca nas últimas décadas era a seguinte:
1940 25.514 habitantes
1950 37.073
1960 46.715
1970 94.287
1978 (estimativa) 140. 000

Possuindo uma área de 614 Km², é Arapiraca a cidade líder no Estado de Alagoas e a que mais cresce no Nordeste, construindo 08 (oito) casas por dia.
Apesar do progresso observado em Arapiraca e da evolução tecnológica nesses últimos anos, a produção do fumo em rolo ainda não tem um mercado certo não havendo portanto um escoamento para toda a produção; também ainda continua com os mesmos métodos introduzidos pelos pioneiros na década de 20:semeia, muda, plantação, varais, sequeiros, mão de obra para fazer o rolo; não conseguindo sequer debelar uma praga conhecida por “Meia” (espécie de lôdo ou môfo), que destrói todos os anos as sementeiras, ocasionando sérios prejuízos aos plantadores; as inovações foram restritas: a permuta do estrume pelo adubo químico em 1953, o aparecimento do fumo em quatro pernas em 1962, a introdução da máquina no preparo da terra no início da década de 70, através de Eloísio Barbosa Lopes e alguma modificação na secagem de folhas. Excetuando isto, 70% da colheita ainda continua sendo manual, o que onera excessivamente o produto, obrigando alguns a partir de 1970 a investir em outras áreas como: pecuária, loteamento de imóveis, cultivo de mandioca, plantação de abacaxi, cerâmica (João Lúcio da Silva, José Maia, José Leão, Eloísio Barbosa Lopes e outros) que evitaram a monocultura.
Ocorre também na década de 70, outra profunda modificação: além da meiação, acaba-se pouco a pouco o sistema de moradores implantado ainda na década de 30; ao invés de dar a morada no terreno, o proprietário prefere pagar ao trabalhador por produção, mesmo transportando-o diariamente para o local da colheita, livrando-se dessa maneira das obrigações sindicais:terminada a colheita, logicamente, termina o vínculo com o trabalhador que geralmente se desloca para a região dos canaviais. As relações entre patrão e trabalhador, como acontece na agricultura, nunca chegaram a bom termo, apesar da presença do órgão trabalhista. Se por um lado o patrão nega-se a assinar a carteira do trabalhador ou se esquiva em mantê-lo durante o verão, o trabalhador por seu turno, uma vez com a carteira assinada, julga-se com direito a abusar, não trabalhar, prejudicar a colheita, etc. E quando procura o Sindicato Rural este o defende, porém prejudica-o pois ele não consegue mais trabalho em outras fazendas, ninguém o quer. E um problema insolúvel até agora e acreditamos ser muito difícil se encontrar um denominador comum, seria no caso, mudar uma mentalidade secular.

As Cantigas

Com a expansão da cultura do fumo em Arapiraca, a partir da década de 20, cresceu, também a necessidade de mão de obra...
CANTIGAS DAS DESTALADEIRAS

Com a expansão da cultura do fumo em Arapiraca, a partir da década de 20, cresceu, também a necessidade de mão de obra e assim convergiram para Arapiraca trabalhadores de várias regiões do Nordeste, que foram trazendo em suas bagagens, costumes, folguedos, crendices. seitas, cantos, os quais foram se adaptando à primitiva cultura já existente e assim se concentrou um sem número de cantigas que há mais de meio século são cantadas na épocas da colheita de fumo pelas mulheres que retiram os talos das folhas de fumo as conhecidas destaladeiras de fumo.
Estando o município de Arapiraca, situado no Agreste Alagoano, entre a Zona da Mata e a do Sertão, essas regiões muito contribuiram e exerceram grande influência na formação dessas cantigas utilizadas na colheita. Na Mata, temos o côco, a cantiga de roda, o reizado; no Sertão, o aboio, a toada, a cantoria de viola, a cantiga de eito. Todas essas manifestações folclóricas influiram decisivamente na formação das cantigas de salão de fumo que as mulheres entoam, sentadas no chão, afastando o sono enquanto destalam as foihas e qu.e, com o passar de tempo, foram adquirindo características próprias, constituindo uma manifestação do povo da região fumageira.
As primeiras cantigas que apareceram em Arapiraca, foram dedicadas aos plantadores de fumo da época:

“ Seu Né “Seu Né de Paula
Seu Né Se parece um raio de sol
Só brinca hoje Quando vem chegando
Na fazenda se quisé” Na fazenda Seridó”

“ Seu Né de Paula
Com todas trabaiadeira
Seu Toinho Cavalcante
Enrola fumo na carreira”
“ Fazenda Pernambucana
Fazenda que tem valô
Ela paga e não engana
Só ganha quem trabaiô”

Essas últimas estrofes fazem referências as Fazendas e aos primeiros enroladores que atuavam nos salões de fumo, junto as destaladeiras: Toinho Cavalcante, Juca Magalhães, Rubens Pedro, Zezé, Sulino, José Macário, José Vermelho e outros.
Entoando essas cantigas, muitas cantadeiras marcaram época nos salões onde cantavam, tirando os versos: Maria de Lima Araújo, Rosa Leite, Detinha, no bairro de Cacimbas. Maria Julieta, Maria Neuza, Amália, Luzia, Rosa Macário, no bairro de Baixa Grande; Joana, Regina, Nina Vital, no Alto do Cruzeiro; Júlia, Rosália, Maria de Lourdes, Angelita, no sítio Mangabeira; Alice Alves, na Lagoa da Pedra; Lourdes Zacarias, Zeza, na Fazenda Pernambucana. Essas cantigas em formas de trovas, (rimas ABCB), sem acompanhamentos musicais, são entoadas em várias vozes, formando um coro harmonioso no estribilho (refrão), com uma só voz no improviso dos versos geralmente tirado pelas líderes do salão. Se o refrão da cantiga agrada em cheio, elas cantam até durante horas; mas, normalmente, as desL taladeiras mudam de cantiga para não esfriar o entusiasmo:

“ Essa cantiga já tá véia
Tá boa de remendá
Com taquinho de pano novo
Uma agúia e um dedá”
“ Eu não como ceará
Nem também carne de péia
Arrenove essa cantiga
Que já tá ficando véia”

E assim elas estimulam cada vez mais, mantêm o salão em permanente alegria, evitando o tédio ou o sono, usando sátiras, ironias, chistes, gracejos espirituosos que são mais das vezes interrompidos por uma algazarra geral:

“ Eu não quero me casá
Com rapaz pequenininho
Prá botar ele no braço
Tururú meu macaquinho”

“Meu amó era um cachorro De cachorro virou gente Mas como não tem palavra

“ Menino casa comigo
Que nós não morre de fome
Minha mãe tem uma porca véla
Quando ela matá nós come”

“Eu agora vou casá
Se eu casá eu vivo bem Se eu ficá no caritá

E principalmente versos românticos impregnados de lirísmo, reminiscências puras do romântismo do século passado que o sertão nordestino conservou talvez como nenhuma outra região brasileira e que são geralmente dedicados pelas destaladeiras aos rapazes solteiros — bem amados — alguns de rara beleza, verdadeiros poemas conforme podemos observar:

“ Eu tranquei na mão um riso
De tua boca mimosa
Quando eu fui abrir a mão
Tava toda cor de rosa”

“Essa noite choveu ouro
Prata fina orvaiou
Eu não aonde tava
Meu sentido aonde andou”
“ Já fui cravo, já fui rosa
Já fui de teu coração
Hoje sou a vassourinha
Com que vais varrê o chão”

“As estrela do céu corre
Eu também quero corrê
Elas corre atrás da lua
Eu atrás de bem querê”

Existe ainda os versos que as destaladeiras empregam para chamar alguém, fazer interrupções, pedidos, insinuações, junto aos proprietários como observamos nessas estrofes:

“ Patrão eu quero bebê
Na vida eu tenho prazê
Se eu não bebê
Eu vou-me imbora”

“Feche a porta e abra a porta
Sem bulir na fechadura
Se eu fosse o dono do fumo
Oferecia rapadura”
“ Eu plantei um pé de cana
Nasceu um pé de ananá
Seu eu fosse o dono do fumo
Oferecia guaraná”

“Quem não pode com a formiga
Não assanha o formigueiro
Quem não pode dar o vinho
Não se mete a ser meeiro”

Muito usados também eram os chamados versos de maltratar que as destaladeiras cantam quando querem xingar alguém que não mais desejam:

“ No tempo que eu te amava
Rompia matas de espinho
Hoje eu pago com dinheiro
Para não vê o teu focinho”

“Eu plantei um pé de cravo
Nasceu um pé de jasmin
Num namoro rapaz branco
Do cabelo de tuim”
“ Quem quisé comprar eu vendo
Um amor que já foi meu
Uma banda tá inteira
E outra a barata roeu”

“Lá do céu caiu um cravo
Choviscadinho de amarelo
Menino interessa a mim
Mas amor eu não te quero”

Nas cantigas das destaladeiras observamos os mais variados temas: do lírico ao sarcástico, do satírico ao irreverente, do espirituoso ao chamado verso de roedeira, que também é conhecido como paixão recolhida.
Como acontece com várias manifestações folclóricas, as destaladeiras também gostam de render homenagens, fazer louvações a lugares, a proprietários, algum visitante, em versos improvisados nos salões de fumo, conforme observamos a seguir:

“ Arapiraca é terra boa
Todo mundo diz que é
Terra de mulé bonita
Viva Manoé André”

“Mandei carta p’ro Recife
Biête p’ra Maceió
Tô amando um moreninho
Da parte que nasce o só”
“ Se o canário bem subesse
Quanto custa uma saudade
Não cantava em minha vista
As quatro hora da tarde”

“O passarinho avoou
Se sentou na verde rama
Mando-te dizer ingrato
De longe também se ama”
Viva o cravo, viva a rosa
Viva com toda roseira
Viva o dono do fumo
Com todas trabaiadeira”

“Oh que estrela tão bonita
Do lado de Muricí
Só comparo aquela estrela
Com uma pessoa d’aqui”
“ Vai-te carta que te mando
Por esse mundo sem fim
Perguntá a meu benzinho
Se ainda lembra de mim”

“Quem me dera eu vê hoje
Quem tá em meu pensamento
Meu coração toma um susto
Meu corpo toma um alento”

Um fato curioso no entanto, nos chama a atenção nessa pesquisa: não conseguimos registrar um só verso contendo reclamações ou desprezo pelo trabalho, não há lamentações nas cantigas da colheita de fumo, daí concluimos que existe um grande contentamento no ambiente onde elas executam a tarefa:

“ O galo cantou, cantou, moreninha
O dia manheceu, manheceu
Hoje aqui neste salão, moreninha
Quem canta mió é eu”
“ O cantá da meia noite
É um cantá incelente
Acorda quem tá dormindo
Alegra quem tá doente”

Os temas empregados no apogeu dessas cantigas, nas décadas de 40 e 50, retratavam o meio ecológico da época : árvores, frutas, flores, pássaros, açúdes, que ainda não tinham sido devastados pelo homem, para dar lugar a cultura do fumo conforme registramos:

“Quem namora moça gorda Vai topá com satanáz Quando ela sai na rua
“ Moça que ama chof éAma cachorro também Cachorro ainda tem rabo

“Bananeira tá de luto
Descanso dos passarinhos As folhas de sentimento
Quem me dera eu descansá Bem que disse a bananeira
Nos teus braços um bucadinho” Quem amô tem tormento”
“ Cravo não me chame rosa “A sucena me fez queixa
Que o meu tempo já passou Que sua rama murchou
Me chame laranja verde Eu também fiz queixa a ela
Da gáia que não vingou” Que meu amô se acabou”

Nos últimos tempos nota-se perfeitamente a presença de elementos urbanos, sinais, símbolos, da chamada sociedade de consumo, conforme observamos nas estrofes seguintes:

“As folhas da bananeira
De manhã manhece queta
Eu conheço meu benzinho
Lá vai meu bujão de gáz” Quando vem de bicicreta”
“Eu preguei o teu retrato
Numa lata de manteiga
Sem vergonha é rapaz branco
E chofé nem rabo tem” Que namora com uma nêga”

Também convém ressaltar que muitas dessas cantigas de salão de fumo já foram publicadas em jornais, plagiadas e até gravadas com modificação da letra, da música e do rítmo. Mas, essas cantigas são anônimas, produtos da invenção do povo simples da roça.
E assim, as mulheres trabalham melhor durante horas àfio, na destalagem e seleção das folhas para formar o rolo, em salas, salões ou armazéns utilizados para a tarefa. Essas “cantigas de salão de fumo” como são conhecidas em Arapiraca, sempre constituiram uma grande atração na época da colheita, quando uma intensa alegria tomava conta dos salões e ouvia-se a longa distância, a cantilena das “destaladeiras”. É pena que essas cantigas autênticas manifestações, tão apreciadas pelo povo, não continuem com a mesma freqüência do passado, vítimas que foram da própria evolução tecnológica implantada na região nos últimos anos da década de 50, quando em Arapiraca se instalaram importantes firmas internacionais que passaram a explorar o comércio de folhas de fumo, proibindo as “destaladeiras” de cantar no trabalho de seleção das folhas, alegando que, além de fazerem barulho, diminuiam a produção diária dos armazéns. Hoje, elas trabalham caladas nos armazéns, sem conversar ou fazer qualquer ruído.

As cantigas tiveram o seu período áureo nas décadas de 40 e 50; até o ano de 1959 as “destaladeiras” cantavam muito nos salões de fumo em pleno centro da cidade e até jovens da elite de Arapiraca, misturavam-se com as mulheres na destalagem do fumo e se deleitavam cantando versos de amor o dia inteiro, numa alegria contagiante e que atingia o seu ponto máximo no chamado derradeiro dia de fumo, quando era encerrada a destalação da safra e o patrão oferecia uma buchada de um carneiro gordo, bem como um “forró” acompanhado ao som de harmônica e muita bebida para comemorar o encerramento da colheita. Foram dias memoráveis os derradeiros dias de fumo nos salões de Né de Paula Magalhães, na Fazenda Seridó, Lino de Paula Magalhães, na Fazenda Ouro Preto, Luis Pereira Lima, na Fazenda Pernambucana, João Lopes, José Honorato, José Imi-. dio, Né Angelo, João Ventura, Pedro Alexandre, Domingos Honório, Gervásio Oliveira que ofer.ecia também um pagode. Eram verdadeiras festas, com os salões enfeitados e as “destaladeiras” bem inspiradas com o vinho, cantando os versos de despedida:

“ Rapaziada adeus, adeus “Adeus amante querido
Adeus, adeus que já me vou Adeus porta de meus pais
Eu levo pena e saudade Só venho aqui para o ano
Dos moreno que ficou” Por hoje não canto mais”
“ Adeus cajueiro “Despedida meu bem despedida
Adeus cajuí A nossa função se acabou
Adeus que eu vou-me imbora Vamos deixá para o ano
Para o ano eu volto aqui” Se nós todos vivo for”


À noite começava o forró com o salão repleto de trabalhadeiras, a poeira cobrindo ía até ao amanhecer do outro dia, ao som dos pés de bode de João Chico, Odilon Zumba, Lau Catenga, João Pernambucano.
Atualmente, apenas em alguns pontos da zona rural da região fumageira, as mulheres ainda cantam na destalação das folhas de fumo, porém, os proprietários quase não realizam festas comemorando o final da safra; também observa-se claramente que o processo tecnológico já se faz presente: muitos fumicultores utilizando automóveis, já entregam as folhas de fumo à domídiio e as recolhem no fim do dia; logicam.ente as mulheres não se reunem em salões para cantar. Também já penetraram até nos sítios o rádio, o gravador, a televisão, que irão fatalmente, eliminar uma das últimas formas de canto de trabalho que ainda existe no Brasil, impondo uma inevitável transformação na cultura do povo.

Hoje, com essas anotações, estamos tentando fazer um modesto registro dessas cantigas da colhejta de fumo de Arapiraca, para que elas não desapareçam com o passar do tempo. Esta pesquisa, entretanto, contém apenas uma amostragem com algumas cantigas e os versos tirados pelas cantadeiras dos salões da “Terra do Fumo”, a progressista Arapiraca.


Extraído - com autorização do autor - do Livro A Cantiga da Destaladeira de Fum de Arapiraca - do historiador Zezito Guedes